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Estas eleições são entre mim e o Paulo Cafôfô

As eleições autárquicas deverão ser mercadas, como determina a própria lei eleitoral, como determina a própria lei eleitoral, para o (...)

14/01/2017

As eleições autárquicas deverão ser mercadas, como determina a própria lei eleitoral, como determina a própria lei eleitoral, para o período entre 22 de Setembro a 14 de Outubro. Num ano político que será marcado pela corrida autárquica, o DIÁRIO dá início, com Rui Barreto, a um conjunto de entrevistas aos candidatos já assumidos às autarquias da Região.

O líder parlamentar do CDS e o actual presidente, Paulo Cafôfo são os dois candidatos já conhecidos à Câmara Municipal do Funchal. Rui Barreto é o primeiro entrevistado.

Qual a razão para esta candidatura, de alguém que já vem de outra autarquia, Santana?

O Funchal é a minha cidade de sempre. Já morei em quatro frequesias dete concelho: Santa Maria Maior, Santo António, São Martinho e Sé. É aqui que vivo e trabalho.

Foi também no Funchal que teve a primeira experiência política activa.

Sim, substituindo o vereador da CMF por 10 meses e foi aí que iniciei a minha vida pública. Sinto que nas diversas gerações, há uma enorme preocupação com a cidade. Temos sido, ao longo dos tempos, fustigados por uma série de crises e há uma vontade de olhar para o futuro, ajudando a construir um Funchal melhor. Há uma geração, da qual gostaria de ser porta-voz, que quer participar mais na vida pública. É uma geração de gente competente, empreendedora que quer participar e que não se revê no actual executivo do dr. Paulo Cafôfô.

Paulo Cafôfo diz ter um apoio alargado da população. É essa a realidade?

Não sei se é assim. A constatação que faço é que o presidente da câmara sempre teve uma enorme preocupação com a sua imagem e propaganda. Acho que demonstra ter, já, uma ambição maior do que a própria câmara e muitas vezes parece estar com o corpo na câmara e a cabeça na Quinta Vigia.

Essa estratégia não tem aumentado a sua popularidade?

Não sei se ele tem essa aceitação, vou medi-la durante a campanha, nos contactos que irei desenvolver com os funchalenses, nas ruas, nos becos, nas avenidas, nas conferências que vou lançar. Há um momento em que as pessoas avaliarão o trabalho que foi feito e as propostas dos candidatos. Como o voto não é posse de ninguém, é soberano e é do povo, estou empenhado em reunir as pessoas mais competentes, mais válidas, gente do partido e da sociedade civil que possa merecer a confiança dos funchalenses. Por isso, não dou por certo e adquirido que Paulo Cafôfo será o próximo presidente da câmara.

Em termos partidários, a sua candidatura não é um risco, sobretudo para quem já foi referido como podendo ser o futuro líder do CDS?

Ao contrário do que algumas pessoas quiseram fazer passar, toda a minha participação e vida pública foi feita riscos. Quando fui para a Assembleia da República era um risco, votei contra dois orçamentos de Estado e tive uma suspensão por cinco meses, quando o dr. Teófilo Cunha me convidou para a Assembleia Municipal de Santana – município onde nem sequer tínhamos participação na vereação – foi considerado um risco. Por tudo isso, não recebo lições de coragem. Toda a vida pública é feita de riscos.

Será um teste à sua aceitação pelo eleitorado?

Se estivesse preocupado com tácticas políticas, ficaria em Santana. A decisão que tomo é consciente, porque há momentos na vida que temos de assumir. Sinto que há uma desilusão com o Governo Regional do PSD, que o PSD está dividido e não fez uma boa oposição na CMF e não correspondeu à renovação que prometeu e também olho para o dr. Paulo Cafôfo e vejo que está refém da sua própria estratégia. Tem pautado o exercício das suas funções por uma competição com o Governo, está a preparar-se para umas eleições que não estas e tem feito um mandato baseado em promessas e pouca concretização.

O que é que Paulo Cafôfo prometeu e não cumpriu?

Muita coisa. Dou como exemplo uma bandeira da presidência do dr. Paulo Cafôfo que foi o Fundo de Investimento Social que tinha dois programas, o ‘Câmara à Porta’ e o ‘Preserva’. O ‘Câmara à Porta’, que era para pequenas reparações nas casas, foi lançado em Janeiro de 2014 e , até à data desta entrevista, foram ajudados seis munícipes. Através do ‘Preserva’, para reparação de habitações, foram ajudados oito. Só por aqui se vê que o dr. Paulo Cafôfo é muito rápido a anunciar e muito lento a fazer.

Há mais situações dessas?

Há mais, muito mais. O dr. Paulo Cafôfo criticou o anterior executivo no que toca ao Plano Director Municipal que já deveria ter sido revisto em 2007, mas que ainda assim o dr. Miguel Albuquerque deixou preparado para discussão pública. Passados mais de trÊs anos, o dr. Paulo Cafôfo ainda não tÊm um PDM. E isso está a prejudicar, não só o ordenamento do Funchal, mas também o investimento e a criação de emprego.

O PDM andou para trás?

Sim, andou claramente para trás. Andámos 16 anos para preparar um PDM e em 2013 estava pronto. O dr. Paulo Cafôfo reiniciou esse processo porque queria ouvir um conjunto de agentes, mas já se passaram três anos. Mas há mais, na reabilitação urbana, a que o presidente da CMF tem dado particular ênfase, aprovaram a área de reabilitação e um conjunto de incentivos, mas não vejo avanços. No turismo, o presidente da câmara, em vez de se preocupar com a qualidade do destino, está preocupado com um plano estratégico para competir com o Governo Regional. No ambiente, não sinto que a cidade esteja mais limpa, nem que a qualidade do mar mais acautelada. Veja-se, por exemplo, o que se passou com os avanços e recuos em relação à construção da nova ETAR.

A competição com o GR tem prejudicado o Funchal?

Esta relação de concorrência entre o presidente da CMF e o governo não têm ajudado a que se tomem decisões boas e céleres, porque não está concentrado no Funchal mas em pensar em voos mais altos. Mas poderia falar, também de trânsito, da mobilidade. As estradas municipais estão,hoje, pior do que estiveram no passado. A questão dos estacionamentos acabou por não ser resolvida.

A Mudanças tem uma equipa quase toda alterada em relação ao início do mandato. Isso afectou o trabalho?

Essa foi a mudança apresentada aos funchalenses em 2013, foi uma coligação de seis partidos. Hoje, parece que o que resta é o apoio do PS e do Bloco de Esquerda e ficará por aí. A Mudança acabou por não cumprir o que prometeu. A crise política que ocorreu poucos meses após as eleições complicou a situação. Nesse aspecto, tenho de destacar a posição de responsabilidade do CDS que, interpretando aquela que tinha sido a vontade popular, nunca criou obstáculos para a que a crise aumentasse.

O CDS até conseguiu fazer aprovar propostas?

Sim, a câmara tem um executivo minoritário e isso obriga a que tenha de negociar e o CDS, através do vereador José Maniel Rodrigues, conseguiu fazer passar medidas. Casos como a devolução de 1.5 milhões de euros aos munícipes na taxa variável o IRS, a redução do preço dos parcómetros em 15%, a aplicação do IMI familiar para famílias numerosas, a recente proposta de taxa social da água e fim a da taxa relaxe, a passagem dos bombeiros municipais a sapadores e a rede municipal de parques infantis.

Qual a medida mais urgente que terá de ser tomada no Funchal?

O funchal precisa de alguém que tenha um sentido de coesão territorial, social e económica. Não quero olhar para o Funchal da zona 1, da zona 2 ou da zona3, nem para um Funchal de pessoas jovens e menos jovens. Todas as gerações são importantes e todas as zonas são relevantes. O Funchal tem vários ritmos, mas tem de diminuir essas disparidades. Em primeiro lugar, é importante ter um ordenamento, um Plano Director Municipal aprovado. É preciso ter um Plano de Ordenamento Florestal e um plano que proteja as pessoas. Temos de ter zonas de risco definidas, proteger as pessoas e oriente-las para que protejam a sua vida e os seus bens. O Funchal precisa, também, de um forte fomento económico. O excesso de burocracia, os atrasos nos licenciamentos, a falta de um PDM e a pouca sensibilidade para projectos que terminam nas secretárias de alguns vereadores, estão a criar dificuldades e a travar a criação de postos de trabalho.

É essa a prioridade?

Estou a fazer um trabalho inicial e quero construir uma ideia mais cimentada, mas tenho uma ideia que gostaria muito de implementar que é, do Forte de São Tiago ao Forte de São José, haver uma verdadeira zona de lazer, fechando uma das faixas da Avenida do Mar. Uma zona vocacionada para a hotelaria, comércio, restauração, lazer, para sentir e viver a cidade. Há um conjunto de edifícios, utilizados por órgãos de soberania na Região e que não satisfazem a eficiência e as necessidades dos serviços que poderiam ser aproveitados e concessionados para fins turísticos, restauração e lazer.

Quais por exemplo?

Refiro-me, por exemplo, à Alfândega, a Policia Marítima, a GNR, algumas direcções regionais. São edifícios que poderiam ser aproveitados. Isto não depende apenas da câmara, depende do Governo Regional e do Governo da República. Por isso é que o papel de presidente da câmara deve ser, apenas, a governação da cidade, para manter intactos pontos de relacionamento com o Governo regional.

Conseguiria manter esse diálogo com o Governo Regional, quando também é visto como um futuro adversário do PSD nas eleições de 2019?

Quero deixar claro que sou candidato à Câmara Municipal do Funchal, não sou candidato a presidente do CDS. Se merecer a confiança dos funchalenses, serei apenas presidente da CMF, renunciarei ao cargo de deputado e não serei candidato às eleições legislativas de 2019. Esse é um compromisso que quero deixar claro.

Acha que Rubina Leal será o candidato do PSD para o Funchal?

Não sei, essa é a escolha do PSD. Neste momento só há dois candidatos, eu e o actual presidente da cÂmara. Acho que o PSD não é uma alternativa nestas eleições para a Câmara Municipal do Funchal. O Governo Regional desiludiu os madeirenses, não renovou, não correspondeu às expectativas, o PSD é um partido dividido e o seu candidato não representará todo o seu eleitorado. Por outro lado, vejo que o dr. Paulo Cafôfo é refém de uma estratégia que o próprio criou que é criar um lastro para outros voos que pretende nas eleições legislativas regionais. Estas eleições são entre a minha candidatura e a do dr. Paulo Cafôfo.

Já está a preparar a equipa?

Quero trazer gente competente, gente com profissão, gente de todos os quadrantes políticos, porque considero que uma candidatura à câmara municipal não se deve restringir a lógica partidárias. Tenho pessoas com muita qualidade no CDS, mas quero trazer pessoas a participar civicamente pelo Funchal.

Mesmo de área políticas mais à esquerda?

Uma candidatura a uma autarquia é menos ideológica e mais partidária e mais de pessoas e ideias. Já convidei pessoas que não são da área ideológica do CDS. Não tenho nenhum estigma em reação a isso, estou a olhar para a competência das pessoas e ao seu trajecto. Pessoas da área da cultura em que muito pouco se fez neste mandato, que percebam do comércio, do ordenamento, da protecção civil, da habitação e que possam emprestar o seu saber a esta candidatura.

O desenho que faz da sua candidatura pode ser um desafio ao PSD para se associar?

Decidir avançar para o Funchal no “timing” que considerei melhor, os outros partidos terão a sua estratégia. A minha candidatura está aberta à participação das pessoas que queiram dar um contributo e não rejeito apoios à partida. Mas há um coisa que dou como certa, esta é uma candidatura do Rui Barreto, do CDS.

Este será um ano político todo dedicado à guerra autárquica, de confronto permanente?

Não gosto da imagem de guerra, mas prevejo que seja um ano rasgadinho, com debate muito aceso. Espero que haja elegância e se coloque as questões no plano político e das ideias e não em questiúnculas pessoais ou em campanhas que muitas vezes não têm a função de informar. Estou disposto para debater o Funchal e espero fazê-lo com os candidatos que se apresentarem.

Entrevista a Rui Barreto DN por Jorge Freitas Sousa

 

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